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Algumas diferenças criativas entre a original e remake, que mostram que Gilberto, Aguinaldo e Leonor tem muito mais consciência narrativa sobre seus personagens do que a Manu Days foi capaz de captar da obra deles:
1988: Assim que conhece o César, a Odete fala que ele tem um ar europeu (que o Riccelli, de fato, passava, mesmo não sendo dos melhores atores). Isso se relaciona com um dos maiores problemas da Odete, o viralatismo dela. Ela é a colonizada que defende a colonização e que ama o colonizador. Ela apanha do europeu que ela leva pro Brasil, por exemplo. Brasileiro pra ela entra no campo da fetichização: os michês, o pornô nacional que ela consome com uma curiosidade fetichista e, ao mesmo tempo, desdenhosa. Ora, reconhecer no César um "ar europeu" é justamente o que faz com que ela crie com ele uma relação diferente das que ela tem com outros michês. Porque, diferente dos outros, o César remete o colonizador a quem a Odete tanto almeja agradar.
2025: Aqui a coisa é bem diferente, tanto por falta de talento da Manuela Dias, quanto pelo Cauã, que com certeza não passa a mesma aura que o Riccelli. O Riccelli fazia um cafajeste canastrão também, mas extremamente sofisticado, charmoso, um canalha com elegância (é isso que atrai a Odete). O Cauã é só canastra, se apoiando mais na fisicalidade do que na atmosfera elegante. Colocar a Odete pra foder o César num ferro velho fedendo a fumaça é de cair o cu da bunda e não ajuda muito a entender o que o César representa pra Odete que o difere dos outros michês dela.
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