Destaque: Cien Años de Soledad - 1x9 - The Armistice
Escrito por: Jonathan Ferreira
A partir daqui, é bom ter uma ideia da árvore genealógica da família Buendía, então deixei ali nas imagens pra facilitar a vida da gente haha (só tem pessoas e relações, mas pode ser que tenha spoilers, caso alguém quiser evitar). No momento atual, estamos acompanhando o desenrolar principalmente da segunda e terceira gerações.
A Úrsula não cansa de ser grandona, peitando o filho mais um bando de marmanjo armado e ameaçando dar uma coça neles.
Eu sempre dou muita pala do plot dos 17 Aurelianos e achei que foi feito de forma magistral aqui, o caderninho, eles chegando pra homenagem ao pai, tudo muito divertido!
Poxa, o Aureliano José menciona pra Amaranta que conversou com um soldado sobre a possibilidade de se casar com ela, mas a conversa em si, que marca o humor característico da escrita do Gabo, não foi mostrada. Segue o trecho do livro pra quem ficar curioso:
""Eu sou sua tia", murmurava Amaranta esgotada. "É quase como se eu fosse sua mãe, não só pela idade, mas também porque a única coisa que faltou foi dar a você de mamar." Aureliano fugia ao alvorecer e voltava na madrugada seguinte, cada vez mais excitado pela comprovação de que ela não se trancava. Não deixara de desejá-la um só instante. Encontrava-a nos escuros quartos das aldeias vencidas, sobretudo nos mais abjetos, e a materializava no bafo de sangue seco das ataduras dos feridos, no pavor instantâneo do perigo da morte, a toda hora e em toda parte. Fugira dela, tentando aniquilar a sua lembrança, não só com a distância mas também com um encarniçamento confuso que os companheiros de armas qualificavam de temeridade; quanto mais, porém, pisoteava a sua imagem na estrumeira da guerra, mais a guerra se parecia com Amaranta. Sofreu assim no exílio, procurando a maneira de matá-la com a sua própria morte, até que ouviu alguém contar a velha história do homem que se casou com uma tia que, além disso, era sua prima, e cujo filho acabou sendo avô de si mesmo.
— Uma pessoa pode casar com a própria tia? — perguntou, assombrado.
— Pode, e não só isso — respondeu-lhe um soldado — pois estamos fazendo esta guerra contra os padres para que a pessoa possa se casar até com a própria mãe.
Quinze dias depois desertou. Encontrou Amaranta mais enfeitada que na lembrança, mais melancólica e pudica, e já dobrando na realidade o último cabo da maturidade, porém mais febril que nunca nas trevas do quarto e mais desafiante que nunca na agressividade da sua resistência. “Você é bobo”, dizia Amaranta, acossada pelos seus cães de caça. “Não é ve rdade que se possa fazer isso com uma pobre tia, a não ser com licença especial do Papa.” Aureliano José prometia ir a Roma, prometia percorrer a Europa de joelhos e beijar as sandálias do Sumo Pontífice só para que ela baixasse a ponte levadiça.
— Não é só isso — rebatia Amaranta. — É que os filhos nascem com rabo de porco.
Aureliano José era surdo para todos os argumentos.
— Mesmo que nasçam tatus — suplicava."
Esta publicação faz parte dos comentários do
episódio 1x9 de Cien Años de Soledad